Prefixados

 O que são "prefixados" e por que gostamos deles?

Especialistas financeiros afirmam que “prefixados são recomendados para ciclo de queda da Selic”!

Mas prefixados podem “performar" bem tanto em ciclos de alta quanto em ciclos de queda da Selic, e vou explicar o porquê disso adiante.

Mas o que são Prefixados, afinal?

A característica principal desse instrumento é que, no
momento da emissão, será estabelecido exatamente quanto o título valerá no vencimento.

Vamos a um exemplo: Eu, governo, decidi emitir um título de dois anos prefixado. Então, hoje, eu estabeleço que esse título valerá exatamente 1.000 reais daqui a dois anos.

Quando eu estabeleço esse valor, ele não muda nunca mais!
Não importa o que aconteça com a taxa de juros Selic, ele sempre valerá 1.000,00 reais no vencimento.

Se eu sei que ele vale 1.000 reais no vencimento, restam duas
coisas a saber: (1) o juro que ele paga e (2) o valor dele hoje (quanto eu tenho de pagar para comprá-lo).

O juro que o meu título vai pagar é uma informação exógena, ou seja, não sou eu (emissor) quem decido. É o mercado que me diz quanto ele vai cobrar para me emprestar dinheiro.

Ao contrário do que normalmente se pensa, o Banco Central
só decide os juros de curto prazo (Taxa Selic). Os juros para um vencimento no futuro são decididos pelo “mercado”, baseado na expectativa dos agentes sobre a trajetória da Selic e mais um prêmio de risco.

Não se engane, o “mercado” não é uma pessoa, ou um cartel
de pessoas que decide de acordo com o próprio interesse… Não! O “mercado” é a soma de todas as negociações do dia, de milhares e milhares de investidores, grandes e pequenos, de todos os
tipos, nacionalidades e interesses. “O mercado” somos todos nós.

Exemplo: imagine que a taxa de juros de dois anos negociada
hoje no mercado futuro está em 12,31%.
O investidor que achar que esse nível de 12,31% é baixo em relação à sua expectativa de trajetória da Selic, vai achar que observou uma oportunidade de ganho financeiro e vai entrar comprando taxa, até que ela suba e fique em um nível considerado
adequado por ele.

Por outro lado, o investidor que achar que esse juro é alto em
relação à sua expectativa de trajetória da Selic vai entrar vendendo taxa e continuará vendendo até que ela caia a índices adequados.

Ou seja, a taxa atual negociada é o equilíbrio de mercado entre
compradores e vendedores. De modo que, a esse preço, as forças compradoras e vendedoras se anulam e o preço estabiliza.

O Banco Central influencia os juros, pois estabelece qual
será a taxa Selic de hoje, que vai remunerar os depósitos à vista.

No entanto, para o futuro, há uma incerteza em relação à trajetória
da Selic e, pela incerteza, o mercado “cobra” um prêmio de risco.

Quanto mais longo for o empréstimo que eu fizer a alguém, maior será minha incerteza (pelo risco de crédito e pelo risco de variação na taxa de juros) e, por isso, maior será o prêmio cobrado por fazer esse empréstimo.

Voltando ao ponto inicial, a taxa de juros futura é exógena e
decidida pelo mercado. Assim, quando o governo quiser emitir, ele utilizará a taxa de mercado negociada para o vencimento do título.

1) Eu sei que o título vale 1.000 reais no futuro.
2) Eu olho para a taxa de mercado para dois anos negociada no dia da emissão. Digamos que seja 12,31%.

Opa! Mas então eu já sei calcular quanto o título tem de valer
hoje, correto? Se eu sei que ele vale 1.000 reais no futuro e os juros de mercado
são 12,31%, é só eu trazer esses 1.000 reais a valor presente por esse juro e eu tenho quanto o título deveria valer hoje:

Preço de hoje = 1.000,00 / (1+0,1231)2

O resultado dessa conta é um PU atual de R$ 792,79. Ou seja, para eu comprar um título que vai valer 1.000 reais daqui a dois anos, em um ambiente de taxa de juros de 12,31%, eu preciso investir 792,79 reais hoje.

Falando de outra forma, se eu investir 792,79 reais hoje, com um juro de 12,31%, eu terei 1.000 reais daqui a dois anos.

Eu sei que o título vale 1.000 reais no futuro e isso não vai mudar nunca! No entanto, eu sei também que a taxa de mercado varia todo dia, a cada notícia nova. Os agentes de mercado vão mudando suas
expectativas em relação à trajetória da Selic, conforme notícias sobre inflação, atividade e setor externo vão sendo publicadas.

Então os juros até o vencimento do meu título podem variar também, não podem? Se eu mudo a taxa de juros de mercado, o que muda nele, uma vez que não será o valor futuro?
O que muda é o valor atual! Ou o chamado Valor Presente.


Eu sei que, se a taxa cair, meu PU sobe, e eu ganho se já
tiver o título. E se a taxa subir eu perco, pois meu PU cai.
Sabendo isso, eu vou ganhar dinheiro se a taxa DE MERCADO
cair! E não a Selic!
Mas pode acontecer de a Selic subir e a taxa de mercado cair?
É claro!
Temos inúmeros exemplos na história de que isso já aconteceu
e acontecerá de novo!
Se o mercado precificar que o Banco Central vai subir a taxa de
juros em 500 bps (5%), e o Banco Central sobe apenas 200 bps,
o que acontece com a taxa de mercado?
Ela cai!
E o que acontece com o preço dos prefixados?
Sobe!
Ou seja, eu ganhei dinheiro com prefixados mesmo em um
ciclo de alta da Selic!
Você, que nos acompanhou até aqui, já deve ter percebido que
a variável-chave para entender se os prefixados são bons ou não
é quanto o mercado precifica de queda ou de alta da taxa Selic
(em relação a quanto eu acredito que de fato será).
Se eu acredito que o Banco Central fará um ciclo de queda da
Selic de 250 bps, mas o mercado já está precificando esses 250 bps, então não tem como eu ter ganhos maiores do que a LFT estando aplicado em prefixados. (Obs.: 1 bps = 0,01%. 100 bps = 1%) Então, da próxima vez que o seu analista financeiro te indicar prefixados, agora que você é um investidor consciente, pergunte a ele: “Mas quanto o mercado precifica de queda/alta de juros?” Tenho certeza de que 99% deles não vão saber responder a essa pergunta. Se o seu estiver entre o 1% restante e responder algum número, continue perguntando: “E quanto você acha que de fato será a queda/alta? Por quê?” Lembre-se: no prefixado, eu ganho dinheiro quando:
No ciclo de alta da Selic: o BC acaba subindo menos a Selic do que o mercado precifica que ele vai subir; o BC acaba não subindo nada, e o mercado precifica que ele vai subir. No ciclo de queda da Selic: o BC acaba cortando mais a Selic do que o mercado precifica que ele vai cortar; o BC acaba cortando a Selic quando o mercado não precifica que ele vai cortar.

Os títulos prefixados oferecidos pelo TD são:  Tesouro Prefixado (ou LTNs);  Tesouro Prefixado com juros semestrais (ou NTN-Fs). Os Prefixados não pagam cupom, e todo o juro é acumulado e pago no vencimento (ou os juros equivalentes são pagos na venda antecipada). Os Prefixados com juros semestrais pagam cupom de 10% a.a. semestralmente (aproximadamente 4,88%). O fato de o título pagar cupom o altera de duas formas: Você terá que pagar imposto de renda em cima de cada cupom pago, enquanto na LTN o imposto que você pagaria estará rendendo juros sobre juros para você. O resultado disso, no final de alguns anos, é que a rentabilidade total da LTN de mesma duration é maior que a da NTN-F. O cupom reduz a duration. Agora, você deve estar se perguntando: mas o que é duration? Duration é o prazo médio de recebimento dos fluxos. Se você tem um título que vale 100 reais no final de 3 anos, mas que cada ano paga 10 reais de cupom, a duration dele não será 3, mas sim 2,76:
10 10 110 1 2 3 anos (10*1 + 10*2 + 110*3)/(10 + 10 + 110) = 2,7692

Quanto maior a duration do seu papel, maior é a variação do
seu preço em relação à variação na taxa de juros.
Uma queda de 0,50% em um papel de 1 ano vai gerar uma
valorização pequena do título, de aproximadamente 0,50%,
enquanto uma variação de 0,50% em um título de 45 anos causará
uma variação brutal no preço do título, aproximadamente
45*0,50% = 22,5%.
Retomando a NTN-F, o fato de ela pagar cupom reduz sua
duration e sua rentabilidade quando comparada com uma LTN de
mesmo vencimento.
Também é importante mencionar que quando você for escolher
seu título prefixado, além de decidir se quer ou não cupons,
terá que decidir o vencimento do título.
Taxas de juros de curto prazo se comportam de modo diferente
de taxas de juros de longo prazo. Saber que a Selic Meta vai
cair não é toda a informação que você precisa saber para ganhar
com prefixados.
É preciso entender como o mercado vai interpretar a queda
da Selic.
Se ficar entendido que a queda é propícia e sustentável, a
curva inteira de mercado deverá se deslocar para baixo. Quando
eu digo “curva inteira”, quero dizer “os juros para todos os vencimentos
disponíveis” (desde os mais curtos, 1 ou 2 anos, até os
mais longos, 10 ou 30 anos).
Agora, se o mercado acreditar que é uma “forçada de barra”, vai
reduzir os juros de curto prazo, porém vai aumentar os juros de
longo prazo já imaginando que a política tem risco de gerar alta da
inflação futura, fazendo-se necessário alta da Selic novamente.

Ou seja, a escolha do vencimento não é trivial e demanda uma boa leitura de interpretação da política e do mercado. Caso este capítulo tenha ficado um pouco confuso para você, não deixe de assistir ao meu vídeo explicativo sobre os prefixados, no qual eu desenho na lousa essas contas. Certamente será bem mais fácil de ser compreendido.






















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