títulos públicos

Os títulos públicos são considerados os títulos mais seguros para se investir

O governo tem uma série de instrumentos para evitar um calote, como imprimir dinheiro, aumentar impostos, pegar emprestado de entidades internacionais (como o FMI). As empresas e bancos
não possuem esses recursos, portanto falências são muito mais corriqueiras para esses emissores.

Não por outro motivo, as taxas de juros pagas pelo governo
tendem a ser as menores entre os investimentos. Afinal, não se esqueçam: retorno = risco. Se há um risco menor, a taxa é menor também.

Dessa forma, se algum dos investimentos privados da sua
carteira paga uma taxa menor que a dos títulos públicos, saia desse investimento agora mesmo! Não tem nenhum motivo que justifique um título privado pagar menos que o título público da mesma natureza.

Só ressaltando que para títulos isentos devemos
ver o valor equivalente ao imposto economizado.
Por exemplo, se o título indexado do governo (IPCA+) estiver pagando IPCA + 4,5%, não há motivo para investir em um título privado que pague IPCA + 4,2% (para títulos não isentos de IR).

Como o título privado tem risco maior, ele deveria pagar um
juro maior. Caso contrário, é um péssimo investimento.

Há situações em que isso pode se inverter? Sim. Se o governo
estiver aumentando brutalmente seus gastos, com aumento de dívida em relação ao PIB, teríamos uma situação em que poderíamos considerar investir em empresas sólidas em vez do governo.

Porém, mesmo nessa situação, é difícil escolher qual empresa ou banco seria selecionado, uma vez que o calote do governo contagiaria toda a economia. Via de regra, é melhor ficar com os títulos públicos mesmo.

A acessibilidade dos títulos também é um ponto forte para
essa modalidade de investimento.

Antes de 2002, os títulos públicos só podiam ser adquiridos
via corretoras e eram destinados principalmente a clientes institucionais (como fundos e empresas) que possuíam volumes de investimento maiores.

Os pequenos investidores tinham que entrar nos fundos dos
bancos para ter acesso aos títulos. Eu não preciso nem dizer que os bancos cobravam taxas de administração caríssimas para esse acesso, preciso?

TESOURO DIRETO

Pensando em democratizar os investimentos em títulos
públicos, o Tesouro Nacional criou o TESOURO DIRETO em 2002.

Pelo Tesouro Direto, é possível o pequeno investidor comprar
diretamente os títulos, sem o intermédio de um fundo e através da internet.

O valor mínimo para adquirir um título gira em torno de R$ 40.
Todos os títulos possuem liquidez diária, ou seja, podem ser vendidos a qualquer dia útil, e têm liquidação em D+0 se vendidos antes das 13h, ou D+1 se vendidos após esse horário (o valor cai na conta no dia seguinte ao pedido de resgate).

O custo do TD é de apenas 0,20% ao ano, cobrado pro rata
(proporcional ao tempo que você ficou investido) e pago uma vez por semestre. Para investimentos de até 10 mil reais, a taxa para
investimentos no Tesouro Selic é zero, independentemente de quantas corretoras você usa para chegar até esse valor.

O site do Tesouro Direto é o
https://www.tesourodireto.com.br/
Nele, podemos conferir todo dia útil (das 9h às 17h) o preço e taxa que o Tesouro cobra e paga para a compra e a venda de todos os títulos disponíveis.

A página específica para ver os preços e taxas
é a https://www.tesourodireto.com.br/titulos/precos-e-taxas.htm

Como investir no Tesouro Direto

1er passo CORRETORA

Para ter acesso aos títulos do Tesouro Direto, basta você se cadastrar em uma corretora.

As corretoras podem ser ligadas a um banco, por exemplo, o Banco Itaú tem a Itaú Corretora, ou as corretoras podem ser independentes, por exemplo, XP ou BTG Pactual.

Mas a hora de escolher a melhor corretora é importante, pois ela pode querer te cobrar alguma outra taxa além dos 0,20% a.a. da custódia da B3.

Tente fugir desse tipo de corretora! Há uma série de instituições que não cobram absolutamente nada a mais para investimentos no Tesouro Direto, além de não cobrar nada por abertura de conta ou transações.

Eu prefiro as independentes. Além de não cobrarem taxas de abertura de conta, elas possuem uma maior variedade de produtos.

As corretoras de banco tendem a mostrar apenas produtos do banco, que nem sempre são os melhores.

Escolha uma corretora que possui o selo da B3. Com ele, você não corre o risco de a corretora quebrar e você perder seu ativo.


O ativo fica ligado ao seu CPF e, em caso de falência da corretora, você apenas deve transferir a custódia.

No site do TD, você pode encontrar uma lista
das corretoras cadastradas, assim como as taxas
cobradas por cada uma:


Na maioria dessas corretoras que não cobram nada para investir no TD, abrir uma conta é totalmente grátis e online, assim como mantê-la.

Prefira uma corretora grande e sólida. Procure um ranking com o tamanho das corretoras (prefira as 10 maiores) e os maiores lucros (prefira os 10 maiores).

2do passo

Escolhida a corretora, entre no site dela e clique em “Abra sua conta”
Todas as corretoras terão esse botão caso seja possível abrir uma conta de investimento online.
Clicando no botão, você terá que preencher um formulário com seus dados e terá também que enviar documentos como RG, CPF, comprovante de residência, comprovante de salário, entre outros.
Os comprovantes podem ser anexados de forma eletrônica. Depois de algumas horas ou dias, a sua conta será aprovada e você receberá o número da conta, assim como senhas e afins.
Aí, basta transferir os recursos para investir via TED. É importante frisar que os recursos só poderão ser retirados da corretora e transferidos se forem depositados em uma conta de mesma titularidade (mesmo CPF). Isso aumenta a segurança dos seus investimentos.

3er passo

Na sua nova corretora, habilite sua conta para poder operar o Tesouro Direto Cada corretora tem um procedimento diferente para isso, mas geralmente podemos encontrar um botão que pede autorização deixando sua assinatura eletrônica. Pode ser na aba “Produtos” ou na própria aba “Tesouro Direto”.
A corretora vai te cadastrar junto ao Tesouro Direto.

Você terá automaticamente um cadastro no site do Tesouro Direto

É possível realizar as compras e vendas direto no site do Tesouro Direto por este link:

O site terá sua posição consolidada, somando inclusive várias corretoras se você tiver títulos em mais de uma.

Além disso, o site terá todos os títulos disponíveis, com taxas e preços.
Na parte superior da página, mo botão “Investir”, você pode realizar suas compras, enquanto no botão “acompanhar”, você pode clicar na sua posição em um determinado título e realizar a venda deste.
Em “Investir”, você vai selecionar uma das corretoras em que tem cadastro e a quantidade de títulos que deseja comprar (mínimo de 30 reais)

Vender algum título

Se quiser vender algum título, basta ir em “Acompanhar”, clicar no título que você deseja vender e clicar em “Resgatar”

Você escolherá novamente a instituição em que estão custodiados os seus títulos e ele vai te mostrar quanto você tem decada título lá.
Basta escolher o valor desejado a ser vendido e apertar “Resgatar” no final da página.
Lembrando que o Tesouro venderá sempre os títulos mais antigos primeiro, para você poder aproveitar o benefício do IR regressivo.

Os recursos estarão na sua conta no dia seguinte.

Na aba “acompanhar”, você poderá conferir a sua posição consolidada.

Lá, estarão descritos todos os títulos que você tem. Ao clicar no título, você também pode conferir os detalhes dessa sua posição na parte inferior da página, como a rentabilidade, data da aplicação,
valor líquido e bruto de IR e outros detalhes.

Lembrando que todos esses passos podem ser feitos na sua corretora escolhida. Você decide o que considera mais fácil e amigável.

Eu gosto de fazer via Tesouro Direto porque, para algumas corretoras, se eu opero diretamente nele é permitido comprar e vender um título no mesmo dia. Como ambos liquidam no dia seguinte, acaba sendo possível vender um e com o valor recebido
trocar pela compra de outro.

Agora só resta saber quais títulos comprar, não é mesmo? Vamos então falar sobre cada um deles nas próximas seções.

O custo de investir no TD será somente 0,20% a.a. de
taxa de custódia mesmo.

O TD também tem a grande vantagem da liquidez diária, o
que o coloca à frente da poupança (que tem data de aniversário).

Se você quiser resgatar seus investimentos em um dia diferente da data de aniversário mensal do investimento, você perderia toda a rentabilidade daquele mês, enquanto no TD você ganha
exatamente o equivalente ao tempo que ficou.

Além disso, o resgate antecipado do investimento pode ser feito a qualquer momento, mesmo que o título que você comprou tenha vencimento mais longo, ao contrário dos CDBs e outros pós-fixados
de bancos (LCI, LCA) com data de vencimento específica.

Outro grande diferencial do TD é a regra de que ele promete
recomprar seus títulos a qualquer momento que você quiser vendê-los e a preço justo de mercado.

Isso parece óbvio, mas não é. Os títulos públicos são emitidos
de tal forma que o Tesouro Nacional forme vencimentos de referência, como 5, 10 ou 20 anos. Então, no ano 2022, ele provavelmente emitirá títulos para 2027, 2032 e 2042.

Os títulos momentaneamente emitidos no leilão são os de maior liquidez, pois serão os mais oferecidos e negociados pelo mercado.

No entanto, conforme o tempo passa e o ano muda, o Tesouro
passa a emitir novos títulos de vencimentos nos anos seguintes.

Por exemplo, em 2023, passa a emitir títulos para 2028, 2033
e 2043. Essa mudança faz com que os títulos antigos percam liquidez e passem a ser muito pouco operados. Quem deseja comprar ou vender esses títulos terá dificuldade de achar bons preços.

Quando você opera via mercado secundário, ou seja, a compra e a venda é feita de investidor com investidor por intermédio de uma corretora (e não diretamente com o Tesouro), você corre o
risco de não conseguir bons preços se precisar vender o título.

Já no Tesouro Direto, não há esse problema, porque mesmo
para os títulos que não são mais emitidos ou disponíveis para a venda, é possível vendê-los a qualquer momento e pelo preço justo do mercado, que pode inclusive ser acompanhado diariamente
no site.

Muitas corretoras colocavam, nas suas plataformas online,
uma aba de “Títulos Públicos” e os vendiam como se fossem TD. Os desavisados compravam por ali, achando que estavam negociando com o Tesouro. Mas esses títulos eram na verdade do mercado secundário, e suas taxas eram cerca de 0,50% abaixo
das taxas do TD. Esse spread era exatamente a taxa obscura cobrada pela corretora (que dizia a seus clientes que não cobrava taxa nenhuma e eles não precisariam pagar os 0,20% a.a. do TD).

Além disso, as corretoras não se obrigavam a recomprar os
títulos sem liquidez pelo preço justo, mas sim pelo preço que elas conseguiriam no mercado. Para um pequeno investidor, os preços
de mercado para lotes pequenos podem ser ruins e descontados.

O regulador proibiu essa prática e obrigou as corretoras a
separarem a aba do Tesouro Direto com a dos Títulos Públicos, dando maior transparência para o investidor.

Outro ponto negativo de operar no mercado secundário das
corretoras é que o spread das taxas é pago no primeiro dia, quando se compra o título. Ou seja, no momento da compra, você já sofre uma marcação a mercado negativa, pois comprou a
uma taxa, digamos, 0,50% menor (e preço maior) para um título que valia uma taxa 0,50% maior (e um preço menor).

Se dali a esses mesmos 45 dias você quiser vender o papel, teria
um custo enorme, enquanto no TD você só teria os 0,20% a.a. equivalentes aos 45 dias que você se manteve com o papel.

Ou seja, o cálculo no TD é pro rata.

Um ponto negativo do TD é que ele desestimula as operações de curtíssimo prazo.

Para você vender um título de forma antecipada, eles estabelecem que a taxa de venda (venda do título para você) será cerca de 0,01% abaixo da taxa de compra (recompra do título por ele), no caso do Tesouro Selic, e 0,12% no caso de Prefixados e IPCA+. (Dá para você conferir esse spread entre compra e venda na página “Preços e Taxas” mostrada acima.)

Ou seja, um IPCA+ de vencimento X, que pode ser comprado a uma taxa de 4,12%, só poderá ser vendido pela taxa de 4%.

Se você comprar o título pensando em 6 meses ou 1 ano, a diferença terá pouquíssimo impacto na sua rentabilidade, porém se você comprar um dia para vender 15 dias depois, o pequeno spread fará diferença na sua rentabilidade.

Com isso, o TD evita que investidores usem os subsídios dados pela instituição para ganhar dinheiro no curto prazo.

Vale notar também que esse spread na taxa muda com o tempo. Então é interessante conferir a magnitude dessa diferença no momento da compra, olhando para ambas as taxas, de compra e
venda, e medindo a distância.

IR

Sobre o imposto de renda, os investimentos nos títulos públicos sofrem a tributação de IOF e IR regressivo. A tributação é retida na fonte e não é necessário pagar via Darf. Apenas é necessário declarar os títulos em sua posse na declaração do início do ano seguinte.

A tabela do IOF é regressiva, e a partir de 30 dias vira zero. A alíquota é incidente em cima dos rendimentos, e não do valor investido.

Muitas pessoas acreditam que, por haver IOF, o TD seria pior do que a Poupança. Esse argumento não faz sentido, uma vez que, na Poupança, antes de 30 dias (aniversário do mês do investimento) não rende nada, e o IOF de títulos públicos vira zero depois de 30 dias.

As alternativas ao TD (como CDBs e fundos) também pagam
IR e IOF no curtíssimo prazo. Não podemos esquecer que LCAs e LCIs têm um prazo mínimo de 3 meses, portanto não seriam alternativas de curtíssimo prazo.

A tabela de imposto de renda é também regressiva e incidente
em cima apenas no rendimento.

Ela é cobrada em cima dos pagamentos de cupom periódicos, para os títulos que os pagam, ou na data de vencimento ou venda antecipada do título.

Se você comprou o mesmo título em mais de uma data, no momento da venda, o TD sempre optará por vender o seu títulomais antigo primeiro, mantendo o seu benefício do IR regressivo.

Falando agora sobre os tipos de títulos disponíveis para a
negociação, temos atualmente 3 tipos diferentes disponíveis para a venda.

Vamos falar sobre cada um deles nos próximos 3 capítulos.

Entender como cada um funciona é crucial para o investidor

do TD. Cada um se comporta de uma maneira e é indicado
para um certo período do ciclo econômico.
A economia se dá em ciclos de crescimento e recessão.
No meio desses ciclos, temos alta e queda das taxas de juros.
Temos títulos que ganham com alta de juros e títulos que perdem
com alta de juros. Assim como títulos que ganham com queda de
juros e títulos que perdem com queda de juros.

O Tesouro Selic é pós-fixado e não perde nunca. Isso significa
que ele é geralmente indicado para momentos de alta de juros de mercado.

Os prefixados aumentam de valor quando as taxas de juros
caem e são geralmente indicados para ciclos de baixa nas taxas de juros ou períodos recessivos.
O Tesouro IPCA+ é indexado à inflação e oferece proteção contra choques de preço.

Se você investir no título que ganha com queda de juros em
época de alta de juros, você pode amargar grandes prejuízos.

Parece simples, mas não é.
É possível também ganhar com prefixados em ciclo de alta da Selic, e isso ninguém te fala. Ainda, é possível ganhar com NTNB
em períodos de inflação cadente.





















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